Sabe aquele bairro perto do centro que não parece Centro?

Santa Apolônia é assim. Ruas tranquilas, alguns restaurantes pequenos e muitos moradores locais. Logo depois de Alfama e próximo à Feira da Ladra, o bairro é um encanto (preciso conhecer melhor, inclusive). À beira do Tejo, com parada de metrô e uma vista incrível dos seus pontos mais altos, acho que seria um ótimo lugar pra “montar acampamento” por aqui. Quem sabe?

Estava a buscar opções mais escondidas e esta tasca me chamou a atenção, especialmente pelo nome, o Agulha no Palheiro. Como ele mesmo se intitula, não foi muito simples de encontrar: mesmo com GPS, Google Maps e tudo mais que a tecnologia de hoje nos possibilita.

Uma casa simples, de fachada clara e sem nenhuma placa que indicasse o local. Apenas as luzes e o movimento à porta apontavam que ali poderia ser a agulha pela qual procurávamos. Uma porta cor de rosa aberta pela atendente prontamente e lá estamos. Um sítio muito acolhedor e que, em instantes, se mostraria ainda mais pitoresco.

A proposta do Agulha no Palheiro é de um menu com muitos petiscos para partilhar e poucos pratos individuais. Muitos vinhos nas prateleiras e no cardápio. Ótimas opções de todo Portugal.

Já que estávamos em um lugar peculiar, optamos pelo vinho com o nome mais pitoresco: Chumbado. Não sei na terra de vocês, mas de onde eu venho, “chumbado” significa “de porre”, de bebedeira ou bêbado mesmo. O termo deve ser originário daquela pessoa que realmente levou chumbo (tiro) e que está anestesiada e mal consegue se mover. O que faz sentido.

O que não fez é que o vinho era muito bom: um tinto de 2015, produzido na região da Bairrada, centro de Portugal. A produção é feita pela Quinta das Bágeiras. O curioso aqui é que eu sou de Bagé (Rio Grande do Sul), mas as coincidências não vêm ao caso.

Estava com uma amiga. Resolvemos pedir três entradas para compartilhar. A primeira foi um presunto de salmão em bolo de caco com salada. O presunto de salmão é tipo um salmão curado no sal. Veio com uma espécie de cream cheese. O bolo de caco é um pão típico feito com trigo da Ilha da Madeira.

A segunda foi uma trouxa de queijo de cabra e maçã (parecia um strudel, docinho mesmo). Uma delícia. Também acompanhada por uma saladinha muito saborosa com folhas, maçã, beterraba, romã, azeitona preta e figos. Realmente muito boa.

Pra finalizar os pratos salgados, cogumelos à bulhão pato com coentros. Muito bom, mas quase não havia lugar pra eles. Ainda não acostumei com os tais “coentros”.

Pra fechar com a clichê “chave de ouro”, pedimos o Pior bolo de chocolate do mundo. Isso mesmo, era o nome da sobremesa. Não poderíamos esperar por nada pior, digo, melhor. Um grand gateau (era grande mesmo), com sorvete de baunilha e frutas vermelhas, frutas silvestres frescas e tudo em quantidade generosa. Realmente estava espetacular. A conta veio numa máquina de calcular infantil toda colorida e totalmente vintage. Outra surpresa.

O Agulha no Palheiro é daqueles restaurantes pra ir sempre. Pra se ter uma cadeira cativa. O atendimento excelente e por valores razoáveis, qualidade e apresentação dos pratos. Voltarei inúmeras vezes!

 

A conta

  • Vinho Chumbado 17.50 €
  • Presunto de salmão 7.50 €
  • Trouxa de queijo de cabra e maçã 7.50 €
  • Cogumelos à bulhão pato 7.50 €
  • Pior bolo de chocolate 4.50 €

Total: 44.00

 

Agulha no Palheiro
Rua do Jardim do Tabaco 5, Lisboa 1100-286, Portugal

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