Acordei cedo, 7h. Dia lindo. O que fazer? Resolver burocracias.

Tempo previsto para conseguir resolver tudo: 5h. Ninguém merece. Mas Deus estava do meu lado e ajudou a tudo se resolver em “apenas” 2h. Nossa, ganhei três horas a mais no meu dia. Vamos passear então!

Peguei a mochila, água, protetor solar, celular, câmera fotográfica e coloquei o melhor tênis e a bermuda mais confortável para partir. Qual o plano? Subir de descer três das colinas mais altas de Lisboa. Visitar o Castelo de São Jorge, o Miradouro da Graça e o Miradouro da Nossa Senhora do Monte. Foi uma árdua tarefa, confesso que não é para amadores. Não que eu seja profissional, mas o estágio de 18 dias no Porto ajudou bastante. O roteiro completo segue no mapa abaixo:

A subida até o Castelo foi a mais desafiadora. É muito íngreme e há pouco espaço na calçada. O que anima são os elétricos (bondes) que passam a todo instante, daí dá tempo pra dar aquela respirada e fazer umas fotos dos carris.

Na entrada do Castelo uma fila considerável para comprar o ingresso. Mas foi muito rápido. Eles têm muitos atendentes e não levou nem 5 minutos. Estava cheio. Difícil consegui apontar a lente pra algum lugar vazio. Mas valeu a pena. Sítios arqueológicos, museu maravilhoso (meio escondido até) e a paisagem de Lisboa de tirar o fôlego. Consegui até ver de muito longe a janela do meu quarto. Privilégio para quem estava com uma lente boa de zoom.

Depois de ficar quase duas horas no Castelo de São Jorge e muitas fotos de pavões depois, sim tem muitos por lá, no chão e nas árvores – já batia quase meio-dia e a fome apertou. Como o plano era almoçar só depois do Mirante da Graça aguentei firme.

Partindo para o Mirante e Igreja da Graça, com a água e o combustível no fim, estava a torcer pela indicação do restaurante feita pelo meu novo amigo José António (o senhorio do apartamento onde estou ficando) ser das boas. Mas não estava a duvidar. Só precisava encontrá-lo.

Fotos feitas, paisagem admirada, passeio pela bela Igreja/Convento realizado, partiu comer. Porque a fome já estava em níveis perigosos. A Igreja/Convento virou um museu de portas abertas. Não existem itens de igreja ou vestígios do convento que está em reforma. 

Cheguei ao O Pitéu. Um restaurante de entrada simples e acanhada em frente à praça da Graça. Dei uma espiada no menu (ementa se diz por aqui) que havia na entrada e adentrei o estabelecimento. “Mesa para um, por favor!”

De pronto fui recebido pelo garçom e comecei a estudar com mais calma o menu. Pedi um filé de peixe frito (ou à milanesa) com arroz com grelos (brócolis) e salada. Acompanha também os malditos e deliciosos pães portugueses. Uma tortura. Pedi um vinho verde geladinho para acompanhar porque ninguém é de ferro. “Meia garrafa, por favor!”

Nem preciso dizer que estava uma delícia. Veio muito rápido e o restaurante estava a estourar as costuras como se diz aqui (cheio). Praticamente só locais. Assim que eu gosto. Sinal que estamos a provar a verdadeira comida e temperos portugueses. Não me aguentei e comi uma sobremesa da casa. Um creme de ovos, mousse de chocolate e chantilly pra completar. Muito bom. Ajudou a dar aquela acordada para seguir a jornada que estava recém no começo.

Saí dali meio trôpego do vinho, da sobremesa e com o sol brilhando forte no céu. Última subida, essa era a mais suave de todas: para o Miradouro da Nossa Senhora do Monte. É mais alta de todas, mas também a menor delas. Tem uma capelinha de vidro com a imagem da Santa e alguns mapas mostrando o que se vê ao longe no horizonte de Lisboa.

Uns minutos pra apreciar um pouco a paisagem e postar algumas fotos no Instagram e segue o baile. Pra onde agora? Com o dia ainda longe de acabar, decidi caminhar. Mas caminhar mesmo. Fui até a ponte 25 de abril. Sim, aquela ponte Pênsil que só tem algumas pelo mundo. Enorme, vermelha e linda. Desci até a beira do Tejo e fui costeando com vento no rosto e música aos ouvidos.

Foram quase 2h andando sem parar. Mas bem lentamente, curtindo a paisagem e descansando apenas para fazer uma foto ou outra. No destino final, a recompensa. Uma paisagem incrível debaixo da ponte, um olhar para Almada, a cidade vizinha à Lisboa, do outro lado do rio. Por fim, a satisfação plena de aproveitar o dia como se deve.

 

 

A conta

  • Ingresso Castelo de São Jorge 8,5 €
  • Almoço 20 €
  • Ônibus pra voltar pra casa 1,30

Total = 29,80 €

 

 

O Pitéu
Largo da Graça 95-96, 1170-165 Lisboa

Um comentário em “O Pitéu e as colinas de Lisboa

  • 14 | julho em 23:48
    Permalink

    Concordo, como morador em Lisboa conheço o restaurante Piteu ha pelo menos 25 anos, e é um dos mais autênticos e que mantém a qualidade sempre igual e boa !
    “grelos” normalmente são os rebentos da folhagem do Nabo.

    Resposta

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